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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Atendimento médico-hospitalar em Montréal


Desde a sexta-feira da semana passada eu sentia que algo não ia bem... mas eu não sabia o que. Na última terça-feira, eu cheguei do meu curso de inglês esgotada e me deitei as dez da noite. As onze acordei com uma dor terrível nas costas e abdomem do lado direito. Mal conseguia me mover! Não tinha posição confortável. Ainda relutei um pouco em ir ao hospital (acho que por medo de todas as histórias que já escutei aqui), mas quando a dor se tornou insuportável, cedi aos apelos do Heri e fomos ao hospital mais próximo de casa (temos um ha menos de 1km). 
Sempre ouvi falar muito mal do sistema de saúde daqui... Mas, até então, minha experiência se resumia em esperar 5 horas na clínica sem hora marcada (quem conhece o GOT, em Santo André, pode ter uma idéia do que é isso... rs) ou 4 meses para poder passar com um ginecologista. Nada urgente. Até a madrugada de quarta-feira.
Cheguei ao hospital à meia-noite. Havia umas 30 pessoas na sala esperando atendimento médico. Mas antes, passa-se pela triagem com a enfermeira e, para minha sorte, só havia 4 pessoas na minha frente. Meia noite e quinze a enfermeira me chamou e constatou o óbvio: eu não estava nada bem! Estou certa de que ela se convenceu disso principalmente quando eu avisei que ia vomitar.. hahahahaha. Foi o tempo de ela me dar um saquinho e eu vomitei pela primeira vez! 
Daí ela me encaminhou para uma sala, me passando na frente de todas as pessoas que estavam na sala de espera. O médico ia me ver alí. Mas enquanto eu esperava, a dor foi aumentando. Pedi para Heri me providenciar outro saquinho, porque eu ia vomitar outra vez. E assim foi! Quando o médico chegou, eu vomitava pela terceira vez e nem vi o rosto dele. Ele apertou minhas costas enquanto eu tava com o saquinho na boca (ahahahahahahaha, rio agora, imaginando a cena) e disse que achava que era pedra no rim. Chegou uma maca e me levou para enfermaria. 
Na enfermaria uma enfermeira (ou seria açougueira???) me deixou o braço direito e a mão direita todos roxos, de tantas picadas que me deu, sem encontrar nenhuma veia. Só não quis xingá-la porque a dor nas costas era muito maior do que a do braço ou da mão. Mas ela teve o bom senso de chamar outro enfermeiro, que acertou a veia na primeira tentativa e quase nem doeu! Esse enfermeiro das mãos de anjo me aplicou morfina e a dor foi embora. E junto com a dor, foi embora toda a sensibilidade do corpo. Que horrível!!!! Mas, bem, melhor isso do que a dor... Acordei as 2 da manhã, com uma secura incrível na boca (efeito da morfina) e o pensamento de como seria bom uma água de coco geladinha!!!
As 3 da manhã me levaram para fazer uns raios-x e as cinco vieram avisar que iam fazer uma tomografia pela manha para saber o tamanho da pedra. E, por isso eu não poderia tomar café da manhã. A sede já tinha passado mesmo, então não havia problema!!!
As 10h me levaram para fazer a tomografia e o diagnóstico veio duas horas e meia depois: uma pedra de 4mm no rim direito (na verdade, ela já saíu do rim, mas ainda não foi completamente expelida, e por isso eu tinha tantas dores) e outra de 3mm no rim esquerdo. Essa última está quietinha e espero que nunca queira sair dalí.
Me serviram o almoço e uma hora depois me deixaram ir embora, juntamente com o encaminhamento para um urologista, uma receita médica e um pedido de afastamento de 3 dias do trabalho.
Aí eu penso: eu teria sido atendida assim no Brasil? Se fosse num hospital particular, talvez eu teria sido atendida melhor. Eu disse TALVEZ. E o que dizer se tivesse sido num hospital público?? A gente vê cada absurdo nos jornais! Mas não vou emitir minha opinião aqui porque eu nunca precisei usar o atendimento da saúde pública no Brasil. Só posso dizer que me surpreendi com o atendimento aqui e fiquei muito contente em conhecer a estrutura do sistema de saúde do Québec (apesar dos pesares... rs).

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Minha história de amor com o... CANADA

Meu nome é Evelin Tesser, tenho 28 anos, casada. Sou paulistana, brasileira, tenho RG, CPF, carteira de trabalho e passaporte. Sou fonoaudióloga, Mestre em Linguística e Doutoranda também em Linguística. Tenho conta em dois bancos e um ótimo histórico de crédito. Tenho um plano de saúde que utilizo só para fazer consultas e exames de rotina (ainda bem!). Esse é o meu discurso no Brasil.
No Canadá, o discurso é bem diferente: Meu nome é Evelin Tesser, tenho 28 anos, casada. Sou brasileira, mas moro em Montréal há menos de seis meses. Não tenho documento (à exceção do passaporte brasileiro), profissão, conta em banco e nem plano de saúde.
Ainda assim, eu preferi arriscar a vida no Canadá. É claro que em breve terei meus documentos canadenses e minha conta no banco. Mas vai demorar um pouquinho ainda para conseguir exercer minha profissão lá, o que significa que vou ter que trabalhar no que aparecer...
Se a vida de um imigrante recém chegado não é nada fácil, por que eu troquei o conforto da vida que eu levava no Brasil por essa outra mais dura? Bem, os motivos são vários.
Quando eu fui à Montréal pela primeira vez, eu me apaixonei pela cidade. A segurança do lugar me deixou encantada!! Eu nunca fui assaltada no Brasil, mas sempre fui muito precavida, nunca abusei da sorte. Diferentemente, em Montréal, eu voltava pra casa sozinha, de metrô e ônibus, depois de uma balada, na madrugada, e eu sabia que ia chegar bem em casa, que ninguém ia me perturbar na rua. Além disso, quando eu ia para as aulas de francês, minha carteira ficava no bolso mais externo da mochila, porque era mais fácil pra eu pegar. E eu estava segura de que ninguém ia tentar abrir minha mochila pra pegar minha carteira. E, de fato, nunca ninguém tentou.
A segunda coisa que me chamou a atenção, tinha a ver com a minha profissão. Falta profissionais da saúde lá. E os salários não são ridículos como os salários do Brasil. É claro que eu não pretendo ficar rica, porque eu sei que isso não vai acontecer mas, se eu conseguir exercer minha profissão lá (e vou fazer o possível pra que isso aconteça!) vou trabalhar muito menos do que os fonoaudiólogos costumam trabalhar no Brasil para terem um salário decente e vou conseguir um salário ainda melhor.
O terceiro e decisivo motivo tem a ver com o fato do meu marido (na época do início do processo, namorado) já ser residente canadense.
Esses foram os fatores que me fizeram mudar de país, mas há mais coisas que me incomodam no Brasil. Na verdade, o que mais me incomoda é a falta de educação das pessoas. É a falta de gentileza. É o "jeitinho" que o brasileiro dá pra tudo. É o egoísmo. O brasileiro é famoso por sua simpatia, mas também é pela sua malandragem. É por isso que eu não sinto falta do Brasil. Sinto falta de algumas pessoas, óbvio, mas não do país. Não sinto falta do trânsito maluco e das pessoas que não se respeitam. Não sinto falta da burocracia exagerada, da corrupção praticamente declarada e do povo de mãos atadas pela falta de informação.
O Canadá é melhor? Em muitos aspectos sim! Mas, verdade seja dita, não em todos. Não é melhor na saúde, por exemplo. Nem no clima - aí é opinião pessoal, porque eu AMO calor! Mas todo o resto compensa.
Imigrar não é pra qualquer um. Tem que ter desprendimento. Tem que ter coragem. Tem que estar preparado pra trabalhar, estudar e resolver todos os problemas do dia-a-dia numa língua que não é a sua. As vezes, bate um desespero.
Se eu pretendo voltar um dia? Na verdade não pretendo, mas também não descarto. Afinal, sou brasileira, como quase todo mundo que está lendo esse post e, por isso, tenho esse direito. Também não descarto viver no México. Há três anos eu não poderia imaginar que minha vida seria assim hoje. Então, quem pode garantir o futuro?

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Nosso camento, parte 3: O civil e a festinha no Canada

Caros leitores,

Me casei dia 21 de outubro. Vocês devem estar se perguntando: outra vez? Pois é... Desta vez, no civil, e em Montréal. E por que Montréal? Bem, essa pergunta é ainda mais fácil de responder... É porque casar em Montréal tem apenas 10% da burocracia que existe para casar no Brasil. Era apenas apresentar passaporte, certidão de nascimento traduzida, preencher dois formulários e pagar a taxa.
Mas se engana quem pensa que foi tudo assim facinho... Foi não. Sempre tem que haver um contratempo. E eu, que já estava no meu terceiro casamento (com o mesmo marido, devo esclarecer), já devia saber disso.
Apresentei todos os documentos no final de agosto. Não fiz isso antes porque faltava traduzir a minha certidão de nascimento. Então, ao final de agosto, com todos os documentos em mãos, me dirigi junto com Heri e nossa amiga Ana, que seria nossa testemunha, ao Palácio de Justiça (onde são realizadas as cerimonias civis) para marcar a data. Aí disseram que deveríamos esperar 20 dias e eles nos ligariam e diriam quando seria o casamento. Passaram 20 dias e ninguém ligou. Fui até lá questionar a demora. E aí, o senhorzinho que me atendeu bem ao lado de uma placa de "respeite o funcionário público ou você vai ver o que é bom pra tosse" me disse que ninguém havia me ligado porque eu não havia levado a tradução da minha certidão de nascimento. Como assim??? Fiquei perplexa, já que eu havia demorado a marcar justamente porque estava esperando a bendita tradução. Eu disse que eu havia levado sim e ele continuou afirmando que não... Pôxa, como deve ser difícil para ele assumir que perderam meu documento... Mas, enfim, só não insisti mais por conta da placa de "respeite o funcionário público ou você vai ver o que é bom pra tosse"... rs. Depois de eu enviar nova cópia da tradução do meu documento, a data foi finalmente fixada. E, a partir daí, tudo deu super certo!
O único "porém" é que eu estava de viagem marcada para o Brasil no dia seguinte ao casamento. E a festinha que havíamos prometido para os amigos montrealais??? Diante do impasse, decidimos: a festa seria antes da celebração... Sei, caro leitor... Isso é bem estranho... Comemorar algo que ainda não aconteceu... rs. Mas a culpa é toda do velhinho-servidor-público-ameaçador que perdeu meu documento.
Apesar da festa ter sido antes da cerimônia, vou relatar aqui como eu gostaria que tivesse sido. Então, vou começar pela cerimônia mesmo. Ela foi super simples, mas bonita (ao menos eu achei, claro) e durou apenas 10 minutos. Primeiro a juíza leu as leis do código civil do Québec concernente ao casamento. Depois ela pediu que nos déssemos as mãos e então perguntou se queríamos mesmo casar. Diante de nossas respostas afirmativas (um "oui" bem sonoro!!rs) ela nos declarou époux e épouse e autorizou o beijo. Aí assinamos a papelada e acabou a cerimônia! Simples assim.
Agora a festa... Passei dois dias na cozinha, preparando coisinhas gostosas para 30 convidados. Pães (frango com cream cheese, peperoni com queijo e pizza), torta de palmito, quiche de brócolis com bacon, beijinho, brigadeiro, casadinho, flamboyant, mousse de maracujá e bolo de três leites recheado com doce de leite e chocolate branco. Ficou tudo bem bom, porque fiz tudo com muito carinho!!! E a festa também foi bem boa! A casa estava lotada de gente animada: nossos novos e já queridos amigos. Foram 5 horas de muita risada, muita diversão e muita conversa (em vários idiomas, porque tínhamos convidados de nove nacionalidades diferentes!!!). Pena que já passou... Agora tenho que pensar em como será a comemoração de um ano de casados... E mais difícil que isso: quando será essa comemoração, já que temos 3 datas diferentes para comemorar nossa união. E viva o amor!!! =)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Nota rápida de ano novo

2011 chegou. E com ele, todas as esperanças comuns dos brasileiros para o ano que se inicia. O meu reveillon este ano foi um pouco diferente. Não passei junto de minha família, como habitualmente. Passei em Montréal com o amor da minha vida. Foi super bonito!
Fui com Heri ao Vieux Port (Velho Porto) de Montréal assistir a queima de fogos dançantes. Chegamos quinze minutos antes da meia-noite. Havia um show de uma banda quebecois (lê-se quebecoá... rs). Quinze segundos antes da virada, começou a contagem regressiva. Foi um pouco desanimada, mas acho que assim são os canadenses... rs. Mas, enfim, em seguida começou a queima de fogos. Era acompanhada de músicas e acontecia no ritmo de cada música. Super!!!
E, pra completar, a temperatura ajudou... 4 graus positivos!!! =)
Assim foi meu início de ano! Um início diferente para um ano que promete ser diferente... reta final do doutorado, casamento, mudança de cidade, estado, país, hemisfério... ufa! rs.
Feliz Ano Novo!!!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Minhas primeiras impressões sobre Montreal

Este artigo eu escrevi em 2009 e gostaria de compartilhá-lo aqui, com quem lê francês.


Salut, amis virtuels! Le but de cet article est de parler un peu de Montréal, la ville que j’ai choisie par améliorer mon français.
Je suis arrivée à Montréal le 31 janvier pour un séjour de 45 jours. Le programme était: étudier le français et connaître un petit peu le Canada, pour pratiquer ce qui est appris en classe.
La première semaine de classe, tous les professeurs m’ont demandé ma première impression sur Montréal. La réponse était toujours sur le bout de la langue: Montréal, c’est très froid!!! J’explique : j’habite au Brésil, un pays chaud, et je n’aime pas le froid. Mais, pour des raisons indépendantes de ma volonté, je suis venue étudier ici au milieu de l’hiver.
Le froid me laisse toujours somnolente, donc, pendant la semaine, je ne veux pas beaucoup sortir. Je suis comme une ourse qui veut hiberner (rsrs). Je profite, alors, des week-ends pour marcher et connaître les points touristiques.
Montréal a quelque chose d’européen qui m’enchante. De tout ce que j’ai vu jusqu’aujourd'hui , je peux affirmer qu’une visite dans le Vieux Montréal est obligatoire et connaître la Basilique Notre-Dame est indispensable. Ça vaut la peine!
Bien que je n’aime pas l’hiver, une observation doit être faite: je trouve très beau quand le soleil apparaît et, qu’on regarde la neige, on voit des petits points brillants, comme si c’étaient des bijoux. Des cristaux, sans doute, mais, dans ce cas, de glace. J’aime aussi voir la neige tomber. Chaque flocon de neige est comme une petite étoile. C’est beau !
Mais, la chose que j’ aime le plus ici est, sans doute, entendre les gens qui parlent français, «la langue de l’amour». J’essaie de faire attention à ce que les gens disent dans le bus et le métro (oui, ma mère m’a déjà dit que c’est très laid, mais c’est irrésistible!!!). Je ne comprends pas toujours, mais je suis heureuse quand je comprends quelque chose!
Je disais tout le temps à mes amis que ce ne serait pas le voyage de mes rêves. Mais, je dois l’avouer, il a dépassé mes attentes ! La ville est plus belle que je ne l’imaginais, les gens sont infiniment plus sympas et accueillants que je le ne pensais, le cours offert est plus chouette que je ne l’imaginais, et, bien sûr, je n’ai pas cesser de réclamer, le froid est beaucoup plus intense que je ne pensais (mais je m’y suis habituée).
Je pense que tout le monde devrait passer par cette expérience. J’ai joint l’ utile à l’agréable. J’ai étudié une autre langue et j’ai connu des lieux merveilleux ! Je crois que je peux dire que je n’ ai jamais été aussi heureuse!!!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Processo Québec: O início

Primeiro um maravilhamento (isso existe?). E, depois, uma inquietação. Isso aconteceu há pouco mais de um ano, quando estive em Montréal. Aí comecei a remoer a idéia tentadora de me mudar pra lá: salários generosos (na verdade, justos), segurança incomparável, cultura acessível à todos, bons transportes. Isso (como se fosse pouco) aliado ao fato do homem que amo já ser residente canadense, me encheu de coragem para entrar com o pedido de imigração ao Québec.
Depois de muito pesquisar e muito ler, preenchi os formulários necessários, fotocopiei os documentos que tinha em mãos e enviei pro Brasil. Lá (ou aí, rs) meus pais juntaram os documentos faltantes e, no final de abril, meus documentos foram enviados ao Escritório do Québec em São Paulo. Dois dias depois, o escritório descontou a taxa de avaliação no meu cartão de crédito e, uma semana depois recebi a primeira carta, na qual dizia que meu dossiê foi recebido e seria analisado. Hoje, 12 dias depois de enviar os documentos, recebi uma segunda carta, dizendo que meu processo foi analisado e aprovado e que, brevemente, serei convocada para uma entrevista. A carta termina com uma ameaça (hahaha, isso é paranóia de candidata à imigração): dedique-se ao estudo do francês, pesquise sobre mercado de trabalho e vida no Québec para a entrevista. Bom, brincadeiras a parte, pelo menos eles dizem o que preciso saber para o dia da entrevista.
Ainda assim, to ansiosa pra caramba! Tenho medo de que essa entrevista seja marcada numa época em que estou fora do Brasil e não possa retornar... Tenho medo das possíveis perguntas em inglês... Tenho medo de paralisar na hora... Enfim, to cheia de medos e ansiedades. Mas agora é hora de arregaçar as mangas e estudar bastante. Estudar francês, inglês e me informar ao máximo sobre o Québec. Sei que essa é uma preparação pra entrevista, mas que será válida pra minha vida lá no país da folhinha!
Um pedido: façam figas, rezem, enfim, torçam por mim!!!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Au revoir Canada!

Se eu pudesse escolher uma única palavra para definir meus últimos 40 dias, minha viagem ao Canadá, eu diria que eles foram INESQUECÍVEIS. No post "Fazendo a lição de casa...", de 26 de janeiro, eu disse que adorei os preparativos para esta viagem, o que é a mais pura verdade. Por incrível que pareça (e, acredite, parece realmente incrível) não fiquei eufórica, não fiquei aflita... Vivi como se nada de diferente fosse acontecer. Claro que eu falava muito da viagem - afinal eu estava feliz - mas nem um pouco ansiosa. Deixei acontecer uma coisa de cada vez. Não posso dizer o mesmo da volta... Quero dizer, não estou com vontade de fazer as malas, não estou com vontade de voltar. Percebi que as pessoas que amo me fazem falta mas que não importa o quão longe eu esteja, posso, ao mesmo tempo, carregá-las no meu coração e na minha cabeça. Que eu não preciso estar aqui ou ali para ser feliz. Que conhecer lugares novos, ainda que com temperaturas negativas, é maravilhoso. E que fazer amigos que não têm idéia do que eu falo quando falo minha língua marterna, também é ótimo!
Experimentar pratos novos, deixar subir o peso na balança sem aumentar o peso da consciência também é muito bom (afinal para que se preocupar? São só 45 dias!). Provei putine e queue de castor (sem dúvida feijoada e brigadeiro são muito melhores!!!). Aproveitei o máximo que pude! Saí todos os finais de semana e alguns dias da semana também! Frequentei museus, clubs, bares. Visitei exposições e festivais (três, em três cidades diferentes). Conheci outras cidades, outra província... Aluguei um carro (uma van tipo a do Scooby Doo, hahaha) e, com mais 7 amigos explorei um pouco da província de Québec. Fiz snowtubing. Ri até chorar! Ri das piadas com os amigos, e dos meus falsos passos na língua francesa.
Por falar em amigos, fiz ótimas amizades!!! As irmãs colombianas Andrea e Camila têm um lugar especial no meu coração: companheiras de estudo, de papo furado, de balada... Incrível como podíamos nos entender só com o olhar... Como se nos conhecêssemos há muito tempo! Foi para elas que ensinei todas as besteiras que posso imaginar em português... hahahaha. Foi tudo muito engraçado! Outra surpresa agradável: nunca imaginei, na minha vida, ter amizade com um turco! Dá pra crer? E, ainda por cima, é o homem mais gentil que eu já conheci! Ainda tem os amigos venezuelanos, mexicanos, peruanos, chilenos, tailandeses, bosnianos, canadenses, japoneses, coreanos e, como não podia deixar de ser, brasileiros -sim, eles estão em todos os lugares do mundo!!!
E meus professores, então??? MARAVILHOSOS. O melhor deles: Sofiane! Nascido na Argélia, um país do norte da África, é médico (na França) e professor de francês (no Canadá). É divertidíssimo! Não sossega enquanto não tem certeza de que todos os alunos entenderam determinada expressão... Tem inúmeros exemplos "guardados na manga". É a simpatia em pessoa! É quem eu não consigo imaginar de mal humor... Tem sempre um sorriso no rosto, até para quem está sempre "de cara amarrada". E eu o adoro ainda que ele ria de mim quando eu digo hot dog, Brad Pitt, out let, leite quente e red bull.
Esta foi, sem sombra de dúvidas, a melhor experiência que já tive. É uma pena que está acabando! Dá um aperto no coração só de pensar! Queria ficar mais ou, ao menos, levar algumas pessoas daqui comigo. Como não é possível, fico menos triste ao saber que existe telefone, e-mail, MSN, facebook...
Ainda que eu, nesta viagem, tivesse como objetivo estudar a língua francesa, o maior aprendizado aqui não foi lingüístico (embora eu esteja ainda mais apaixonada pelo idioma...). A grande lição foi que eu percebi que o mundo é pequeno para quem sonha grande... e que nada mais parece ser difícil.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Salut mes amis!!!

Estou me sentindo um tanto quanto relapsa em relação a este blog... Sim, porque o mês de fevereiro está no fim e eu quase não apareci por aqui. Acho que me falta inspiração. Então, assim sendo, é provável que a qualidade do texto também caia. Peço desculpas por isso, desde já.
Mas, enfim, vamos falar mais um pouquinho do Canadá. Estou aqui há três semanas. Continuo adorando o lugar. Esse fds conheci Toronto. Não é necessário muito tempo nesta cidade para constatar o óbvio: Montreal é infinitamente mais bonita! Toronto é uma cidade imensa e lembra muito São Paulo. Segundo meu amigo Rodrigo, é uma São Paulo que funciona. Pode até ser, mas São Paulo, para mim, não é uma cidade atraente. Tampouco Toronto. Atribuo também essa pouca empatia ao fato de que em Toronto o idioma oficial (e também predominante, muito embora é possível ouvir inúmeras línguas quando se anda pelas ruas da cidade) é o inglês. Ainda que eu tenha estudado por um certo tempo o inglês, detesto esse idioma e me sinto incapaz de estabelecer diálogo por meio dele.
Agora, Montreal tem um quê europeu que me encanta! Fora que é maravilhoso andar por aí ouvindo "la langue d'amour"... Ai, ai! rsrs. Conheci também em Montreal a Basílica de Notre Dame, que fica no centro velho da cidade. Não tem como explicar a beleza do lugar. O centro velho é lindo. E a Basílica, então, sem palavras! Sabe quando é tão lindo que chega a emocionar? Pois é... A Basílica de Notre Dame é assim!
O frio daqui já não me incomoda tanto quanto no começo... Já não fico mais tão sonolenta, então vou começar a aproveitar mais minha estadia. Que, aliás, já chegou na metade! Não sei explicar ao certo e não quero parecer insensível, fria ou qualquer outra coisa desse tipo... Mas não tenho saudades do Brasil. Tenho da minha família e dos meus amigos (e também do calor que eu tanto gosto), mas não tenho - ao menos por enquanto - vontade de voltar. Talvez porque eu saiba a data em que tudo vai terminar. Mas, por aqui é tudo tão novo e tão diferente, que ainda não me cansei.
Não vi até agora nenhum lugar em Montreal que me faça pensar "que lugar feio!". Acho que não existe. Mas nada é perfeito... é bastante comum encontrar pessoas pedindo esmolas. Sobretudo pessoas velhas! E é engraçado observar como os hábitos são diferentes. No metrô, por exemplo, há os lugares preferenciais. Mas quem disse que os canadenses cedem seus lugares às pessoas de mais idade? É claro que isso não é uma regra, mas a grande maioria "não está nem aí" para isso... Primeiro mundo? Vai entender...
Mas, sinceramente, não posso me queixar do transporte público do Canadá (ou melhor, de Montreal e de Toronto, que é o que conheci). Ele, de fato, funciona. E muito bem! Se o metrô não chega até onde você precisa, certamente ele chega perto e, depois, há ônibus para tudo quanto é lugar.
Agora, o que parece não funcionar muito bem por aqui é a saúde pública. Souad, a dona da casa em que moro, me conta histórias escabrosas sobre pessoas que padeceram por falta de atendimento médico ou pela baixa qualidade do atendimento. Se alguém precisa de atendimento médico gratuito, entre na fila: 4 meses de espera! Alguma coisa muito diferente do que os brasileiros conhecem? Acho que não!
Aliás, pelo que andei ouvindo, a área da saúde, em geral é muito precária aqui. Não há enfermeiros, fisioterapeutas ou fonoaudiólogos. Portanto, esses profissionais são facilmente aceitos pela imigração. E eles ganham muito bem! E quando eu digo muito bem, quero dizer umas 5x mais que no Brasil! É uma coisa a se pensar, caso minha vida profissional não engate aí no Brasil quando eu terminar meu doutorado!
Mas, enfim, já prometi que não planejo mais minha vida. E isso é fato! Planejo, no máximo, o que farei no próximo fds. Nada mais! Aliás, no próximo fds pretendo visitar o Parque Olímpico, o Insectário (onde está tendo uma exposição chamada "borboletas em liberdade") e ainda ir à "Festa das luzes de Montréal". De resto, vou dançar conforme a música.
Beijinhos a todos!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Bonjour messieurs, mesdames et mesdemoiselles!!!

Bem, há pouco mais de uma semana estou em Montréal, Canadá. Ainda não conheço quase nada da cidade e já vou me justificando: a primeira semana foi de um cansaço tremendo! Eu só queria dormir! Para quem não sabe, tenho aulas de francês das 9h30min às 16h30min, com um intervalo de uma hora para almoço. Isto significa 6 horas de aulas diárias - numa língua que eu não conheço bem! Além disso, a casa em que estou morando fica há uma hora da escola. O que quer dizer que saio de casa as 8h30min e chego após as 17h30min. Puxado? Nem tanto! O que eu acho que mais me cansa é o frio daqui! Na primeira semana todos os professores me perguntaram sobre minhas primeiras impressões sobre a cidade. A resposta estava sempre na ponta da língua: Montréal faz muito frio! É como viver dentro de um freezer! Sim, porque cheguei a pegar temperaturas de -30ºC! Quando faz 0ºC, é um "calorzinho" gostoso!
Mas, enfim, como eu ia dizendo, quase não saí na primeira semana porque o frio me deixava sonolenta. Mas, no último fim de semana eu conheci a Ville du Québec. É uma cidade muitíssimo bonita! E, pasmem, estava tendo Carnaval por lá! Isso mesmo! Carnaval! Hahaha, mas não como o do Brasil. Não que eu ache o carnaval brasileiro bom. Para ser bem sincera, não acho! Mas o nosso carnaval é muito mais... "quente", vamos dizer... em todos os sentidos! rsrs. Além disso, visitei l'Hôtel de Glace, um hotel feito todo em gelo. Exceto os banheiros, que eram aqueles químicos e ficavam fora do Hotel! rsrs. Mas, de resto, tudo de gelo! Dentro do hotel a temperatura era de -30ºC. Um frio desesperador! Fiquei uma hora e meia lá dentro e foi o suficiente para eu ficar preocupada - não sentia mais minhas mãos e muito menos meus pés!
Mas, como nem tudo é um mar de reclamações (rsrs, ainda bem!), devo admitir que estou AMANDO essa experiência! O que eu mais gosto é sair na rua e escutar todo mundo falando francês. É muito legal! Ainda que eu não entenda quase nada! Pego ônibus e metrô e, nesses momentos, tento, disfarçadamente, prestar atenção na conversa alheia para ver se entendo alguma coisa! E quase nunca entendo, mas isso não tem sido problema! Aliás, não acho que "comunicação" (detesto essa palavrinha) esteja sendo um problema: compro coisas, almoço fora, peço informação na rua. Tudo em francês! E tenho me saído bem. Na verdade, melhor do que eu esperava.
Também devo acrescentar que, ainda que tudo seja branco por aqui, achei Montreal uma cidade muito bonita! Acho interessante quando vou à escola e, de dentro do ônibus, vejo o sol iluminando timidamente os jardins brancos. E, no meio de toda a neve, o que se vê são pequenos pontos brilhantes, como se fossem cristais. É uma visão, sem dúvida alguma, bonita! Gosto também quando neva... Gosto de ver os flocos de neve caindo. Talvez, e muito provavelmente, porque é muito diferente de tudo o que eu já tinha visto.
Ainda que eu tenha dito, no último post, que esta não era a viagem dos meus sonhos - e continuo afirmando (ou melhor, negando): não é - confesso que ela superou minhas expectativas! O lugar é mais bonito que eu imaginei, as pessoas são infinitamente mais simpáticas e acolhedoras do que eu imaginei, o curso é mais legal do que imaginei e, claro, não poderia deixar de reclamar, o frio é muito maior do que imaginei (mas já estou me habituando...). Penso que todo mundo deveria passar pela experiência que estou passando. Uni o útil ao agradável: estou estudando uma outra língua e conhecendo lugares maravilhosos. Acho que posso dizer que nunca estive tão feliz!
Se eu sinto saudades? Muitas!!! Da família, principalmente, mas também dos amigos e do calor que eu tanto gosto! Mas procuro não pensar muito nisso, porque se não acho que eu desabo! 45 dias passam rápido! Agora, na verdade, faltam 33... rápido, não?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Fazendo a lição de casa...

Falta pouco para minha viagem... Adianto que esta não é a viagem dos meus sonhos, mas gostei de preparar cada detalhe: da documentação para o visto à arrumação das malas, passando pelas compras de roupa para neve e presentes para a família que me receberá.
Não sei muito do país que visitarei, não sei muito da língua que irei falar, não sei quase nada da minha nova e temporária família. Não sei dos hábitos e costumes locais. Mas eu aprendo! Achei interessante estudar um pouquinho antes de ir ao Canadá. E, então, segue um pouco da minha "lição de casa" baseada em um manual sobre este país. O autor é Ivory e o ano é 2008.
Se este post fosse uma receita eu diria: pegue uma porção de picos e campos de gelo, acrescente a vastidão das pradarias, as intermináveis florestas de coníferas e o norte gelado e austero. Voilà - temos o Canadá, "um mundo de natureza intocada, uma vastidão quase infinita".
Mas isso não é uma receita e o Canadá não se resume a isso. Cada região do país possui uma rica mistura. A francesidade de Montreal, por exemplo, dizem ser fascinante. É lá que passarei 45 dias. Depois, posso dizer se isso é verdade!
Montreal não é a maior cidade do Canadá - foi destronada por Toronto - mas é a metrópole mais diversa do país "exibindo uma fusão extraordinária entre a tradição européia e a modernidade da América do Norte".
1/5 da população da cidade é de imigrantes. É a segunda capital gastronômica da América do Norte, perdendo apenas para NY.
Montreal é uma cidade que não dorme nunca (uma espécie de São Paulo???)! Há uma gama quase infinita de bares, cafés, cabarés, danceterias, entre outros tipos de entretenimento. Há também uma imensa variedade de museus.
Tem invernos rigorosos, com temperaturas médias de -10ºC, podendo chegar até -40ºC. Os habitantes de lá solucionaram o problema de fazer compras no inverno construindo a Ville Souterraine, ou cidade subterrânea, cuja extensão é de 32 km e onde há cerca de 2000 lojas, teatros, hotéis, escritórios e apartamentos. Assim, no inverno desfruta-se ao máximo da vida urbana e, no verão, liga-se o ar-condicionado (rsrs).
Resta dizer que Montreal é bem servida de transporte público; há cinco linhas de metrô e três de trens, além dos ônibus. Penso que locomoção não será um problema!
Este é, até o momento, o maior investimento que fiz em mim mesma. E penso que não só o maior, mas também o melhor: invisto em cultura e educação - lição aprendida em casa!
Bem... estou quase indo. Não quero pensar no que perderei aqui ao passar esse tempo fora (e sei que perderei muitas coisas importantes...). Vou pensar no que ganharei estando lá e que todo o sacrifício valerá a pena!
Vou, e não pretendo ir com o coração apertado. Vou com a certeza de que esta é a melhor escolha e que tudo o que virá depois disso vai ser sempre melhor. Vou sabendo que minha felicidade independe do lugar e das pessoas que me cercam - ela depende única e exclusivamente de mim!
É claro que vou sentir muita saudade daqueles que aqui ficarem... família, amigos, pacientes... Mas eu volto! E a volta é sempre melhor! Não vou abandonar o blog... nem orkut, msn, etc. Então ninguém poderá dizer que sente minha falta!
Até breve!