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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A maldição da sexta-feira 12

Era quase uma hora da manhã e eu estava quase dormindo, quando ouvi uma sirene chata e insistente. Demorou alguns segundos para me dar conta de que era a campainha do alarme de incêndio do meu prédio. Ainda demorei um pouco pensando no que eu deveria levar comigo... rs. Peguei passaporte, dinheiro e computador. Enfiei tudo na bolsa. Tirei a calça do pijama, vesti rapidamente meu jeans, coloquei um casaco por cima do resto do pijama, calcei meu par de tênis, apaguei as luzes da casa e saí correndo. Lá no corredor, me deparo com uma francesinha toda descabelada e vestindo seu pijama, me perguntando "qu'est-ce qui se passe?". Respondi com um "je ne sais pas", para não dizer "olha minha filha, eu sei tanto quanto você... mas não vou ficar aqui para ter certeza... fui!". Um casal chamava o elevador... Alô-ou! Caros leitores, me esclareçam... quem em sã consciência, chama um elevador quando o prédio está (ainda que supostamente) pegando fogo? Abri a porta que dá para a saída de emergência e avisei que era melhor por ali.
Descemos todos voando, quer dizer, uns mais que outros. No final, faltando dois degraus, eu fiz o favor de não enxergar bem e torcer o pé. Caraca, que dor! Uma mocinha gentil que estava na minha frente se ofereceu para me apoiar, para eu continuar andando... Mas não era para tanto, então agradeci e disse que não era necessário. O hall estava lotado, e a calçada do prédio também. Sentei na calçada, porque a dor no tornozelo estava ficando insuportável. Em 5 minutos chegaram dois caminhões de bombeiros (igualzinho ao Brasil, hein?!). Seis bombeiros entraram no prédio com lanternas e mangueiras. Aí o povo começou a voltar para seus apartamentos. Voltei também.
Passa alguns minutos e um bombeiro bate à minha porta para saber se eu havia visto algum foco de incendio. Eu neguei e perguntei se realmente já podia ficar no apartamento. Ele disse que sim e foi embora.
Saldo do dia: um tornozelo inchado e super dolorido. A regra agora é repouso e anti-inflamatório. Espero que nada mais grave tenha acontecido, porque nada me impedirá de voltar pro Brasil na próxima semana!!! =)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Stras o que?

Essa história começou no final de outubro de 2008. Era uma sexta feira a noite e eu estava no intervalo da aula de francês. Conversando com os amigos, um deles, o Mauro (o grande culpado!!! hahaha) ficou inconformado com a minha falta de atitude diante da grande oportunidade de estudar fora do Brasil com uma bolsa paga pelo Governo Brasileiro. O Mauro plantou a sementinha e, dois dias depois eu estava decidida: ia aprofundar meus conhecimentos na língua francesa e pleitear a bolsa de estudos para a França. De lá para cá, passei 45 dias em Montréal, conheci o tão sonhado príncipe encantado (mas essa é outra história...rs - que os amigos e leitores do blog já sabem), voltei, prestei a prova de proficiência em francês, passei, cortei o cabelo (de acordo com a promessa que havia feito), fui aceita pelo professor da Universidade de Strasbourg, pedi a bolsa de estudos à CAPES, que me foi concedida e, depois de muita dor de cabeça (porque é isso que acontece sempre que lidamos com órgão público no Brasil), viajei à Strasbourg, na França na metade de janeiro deste ano.
E é sobre isso que vou escrever neste post. Em primeiro lugar, por que Strasbourg? Na realidade, eu não escolhi a cidade. Escolhi o professor, le Monsieur Gérard Pommier. O professor é médico psiquiatra e psicanalista (o mais respeitado da Europa). Foi aluno e paciente de Lacan. Ele dá aulas as quartas e quintas na Universidade de Strasbourg e, o resto da semana, fica em seu consultório em Paris. Essa é, então, a justificativa pela escolha da cidade.
Vamos a alguns dados... Strasbourg situa-se no leste da França. É a capital da Alsacia e pertenceu, por cinco vezes, à Alemanha. É atravessada pelo rio Ill.
Strasbourg é uma das capitais da União Européia porque abriga inúmeras instituições, como o prédio do Parlamento Europeu, o Conselho da Europa e a Corte Européia dos Direitos Humanos.
A Catedral de Nossa Senhora, de Strasbourg, é maravilhosa. Sua construção começou no final do século 11 e foi terminada em 1439. É toda feita em arenito, mas parece ser de renda. Até 1874 a Catedral foi o edifício mais alto do mundo e teve o título de igreja mais alta do mundo até 1880. Hoje é a quarta maior igreja católica do mundo. Dizem que no verão é possível subir até a plataforma de observação da catedral, de onde se tem uma vista mais do que privilegiada da cidade.
Dentro da Catedral, há o Relógio Astronômico, que tem 18 metros de altura. Como todo bom relógio suíço, marca fielmente as horas. Todos os dias, as 12h31min, um carrilhão com esculturas móveis aparece. O relógio também marca os anos bissextos e exibe informações astronomicas.
Quando eu cheguei em Strasbourg, a cidade estava branca. Não nevava, mas a quantidade de neve nas ruas deixava claro que havia nevado no dia anterior. Passei o primeiro final de semana num hotelzinho super gracinha aqui de Strasbourg. No jantar da primeira noite, fui ao restaurante do hotel e pedi um suco de laranja. E, ao chegar, surpresa: no rótulo da garrafinha do suco estava escrito "laranja do Brasil". Hahaha. Que sacanagem! Eu enfrento horas de avião pra tomar um suco de laranja do Brasil??? Hahahahaha.
Cheguei ao meu apartamento na segunda feira e o dia estava lindo! Tinha sol (e logo eu percebi que isso é uma coisa rara em Strasbourg) e não fazia tanto frio... Quer dizer, fazia, mas era suportável. Neste dia, visitei o mercado quatro vezes! Ainda bem que sou vizinha dele!!! As compras foram desde alimentos e produtos de limpeza até panelas e porta retratos. Pronto, o apartamento ficou com a minha cara!
O frio faz com que eu perca um pouco a coragem de sair, então quase não saio. Passeio as vezes, mas não todos os dias. Gosto de andar pelo centro da cidade, onde está a Catedral e a Petite France porque a arquitetura do lugar é muito bonita! Andar as margens do Ill, vendo os cisnes e todos os outros pássaros, dá uma paz que ha muito eu não experimentava.
Ainda não fui a nenhum museu... Há tempo pra isso. Mas fui ao cinema outro dia. E que caro!!! Eu paguei 6,40 porque sou estudante... Assisti um filme francês chamado Complice e achei um bom filme. O cinema é uma ótima programação para os domingos, já que é uma das poucas coisas que funcionam na França este dia.
As aulas que frequento acontecem as quartas e quintas feiras e é sobre psicopatologia e outros assuntos psicanalíticos. Estou achando super legal, ainda que não consiga entender tudo. Acho que a dificuldade maior nem é o idioma, mas a própria complexidade conceitual. Enfim... vou ralar bastante pra conseguir acompanhar e isso não será um problema!
Tive, no primeiro domingo no apartamento, um problema com a eletricidade. Estava arrumando a casa quando a energia acabou. Fiquei angustiada porque era domingo e a recepção do prédio fica fechada. Depois de muita aflição, encontrei uma vizinha disposta a me ajudar. Ela é grega, mora no mesmo andar que eu e o apartamento dela consegue ser infinitamente mais bagunçado que o meu! Hahaha. Ela foi extremamente simpática, veio até meu apartamento e, em segundos resolveu o problema: levantou a chave da caixa de força que tinha caído. Simples assim... rs.
Pouco mais de uma semana depois, o mesmo problema. A energia acabou quase meia noite. Fui à caixa de força e encotrei a chave caída mas, ao muda-la de posição, continuei sem energia... Que desespero!!! Para minha salvação, no mesmo dia, mais cedo, havia chegado um contrato de prestação de serviços (que eu não solicitei e pelo qual eu fiquei revoltadíssima) da companhia de energia de Starsbourg. De acordo com o contrato, eu devo pagar 5,90 todo mês e tenho assistência gratuita de um técnico em eletricidade. Perfeito! Liguei para a companhia e, após o técnico tentar me auxiliar por telefone sem sucesso, ele veio à minha casa. O problema foi um curto na geladeira. Conclusão: quase uma da manhã eu já tinha energia, mas fiquei sem geladeira... Amanhã um técnico vem ver o que será necessário fazer para que eu tenha geladeira novamente! Vamos aguardar.
É isso... Strasbourg é linda e os franceses são educadérrimos, ainda que quase nunca sejam simpáticos. Estou me virando bem em casa e na faculdade. Sinto falta da família, do namorado e dos amigos, mas procuro não pensar tanto nisso, já que a jornada está só começando. As vezes, quando as coisas não saem como eu gostaria, bate uma certa tristeza, mas dou um jeito dela passar logo. O fato da cidade estar quase sempre nublada também me entristece um pouco. Gosto das cores quentes do sol. De qualquer maneira, tento manter a alegria e tenho em mente que devo aproveitar cada minuto dessa oportunidade única.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Tão feliz, tão feliz, tão feliz!!!

Hoje eu tomei uma decisão muito importante! Uma decisão que afetará minha vida em todos os aspectos. Isso mesmo. TODOS! Uma decisão que devolveu o brilho aos meus olhos e que fez meu coração bater um pouco mais acelerado. Quem pensou em um novo namorado, errou! E errou feio! Penso que agora, na minha vida, não há espaço pra mais ninguém além de mim mesma. E acho que eu nunca estive tão feliz! Feliz, assim, de perder o sono, de perder a fome! Feliz de querer escrever, escrever, escrever e não parar mais! Mas, não se preocupem... não pretendo cansar os olhos de vocês com tantas palavras! Pelo menos não de uma vez só (rsrs)!
Vou contar o motivo da minha felicidade: decidi que, em julho do próximo ano (isso se tudo der certo... Pensamento positivo, por favor!!!), farei um curso super intensivo de francês em Montreal, Canadá. E, quando eu chegar de lá, trocarei as malas e rumarei a Strasbourg, na França, onde cursarei 6 meses de doutorado com um professor que é "O PROFESSOR"! Chama-se Gérard Pomier, é psiquiatra e psicanalista. Isso quer dizer que, se eu não voltar em fevereiro/março de 2010, procurem-me nos hospícios franceses... Ai que horror! kkkkk!
Como já disse, nunca estive tão feliz, tão cheia de planos... Mas, ao mesmo tempo, tão aflita! Isso é tão paradoxal, não? Quer dizer, é um acontecimento maravilhoso, oportunidade única! Mas vou deixar tudo pra trás: Família, amigos, pacientes... E quando eu voltar? Começar do zero? Deve ser muito estranho! Mas, enfim, penso que vale a pena arriscar! Voltarei com uma bagagem ímpar (e não estou falando das malas)!
Torçam por mim!