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domingo, 2 de janeiro de 2011

Nota rápida de ano novo

2011 chegou. E com ele, todas as esperanças comuns dos brasileiros para o ano que se inicia. O meu reveillon este ano foi um pouco diferente. Não passei junto de minha família, como habitualmente. Passei em Montréal com o amor da minha vida. Foi super bonito!
Fui com Heri ao Vieux Port (Velho Porto) de Montréal assistir a queima de fogos dançantes. Chegamos quinze minutos antes da meia-noite. Havia um show de uma banda quebecois (lê-se quebecoá... rs). Quinze segundos antes da virada, começou a contagem regressiva. Foi um pouco desanimada, mas acho que assim são os canadenses... rs. Mas, enfim, em seguida começou a queima de fogos. Era acompanhada de músicas e acontecia no ritmo de cada música. Super!!!
E, pra completar, a temperatura ajudou... 4 graus positivos!!! =)
Assim foi meu início de ano! Um início diferente para um ano que promete ser diferente... reta final do doutorado, casamento, mudança de cidade, estado, país, hemisfério... ufa! rs.
Feliz Ano Novo!!!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

E 2009 está chegando ao fim...

O final do ano está chegando e, com ele, vem toda aquela reflexão... o balanço pra saber o que valeu a pena e o que precisa ser consertado. E, pensando um pouquinho, consigo resumir 2009 em uma única palavra: PERFEITO. Simples assim! 2009 foi um ano perfeito. Porque acredito que este ano, acertei até quando errei... rs. Quer dizer todas as ações (as louváveis e muitas outras nem tão louváveis assim) me levaram para ótimos lugares (literal e metaforicamente falando...).
Aproveitei 2009 ao máximo. E, ao lerem máximo, pensem no máximo mesmo! Fiz tudo o que tinha vontade. Viajei a beça (conheci Montréal, Toronto, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba, Cidade do México, Queretaro, Guanajuato e San Miguel), comi sem culpa (e engordei 3 péssimos quilos que não me deixam de jeito nenhum!!), aprendi a dançar, fiz vários amigos bacanas, arrumei O namorado (e que namorado!! Ainda tenho medo de acordar e ver que estava sonhando...). Foi o ano também em que ganhei minha tão sonhada bolsa de estudos para a França.
Claro que tudo foi a base de trabalho. Nada vem fácil e quem me conhece sabe que eu realmente luto por aquilo que quero.
Agora 2010 tá aí. E estou me sentindo um tanto quanto de mãos atadas. Porque agora, indo pra França, toda a minha vida, exceto a acadêmica, vira uma incógnita. Eu já disse aqui que gosto de incertezas. E não é mentira. Mas, tendo quase tudo incerto, dá um pouquinho de medo. Então, meus planos para 2010 são poucos: estudar muito, passear um pouco, viajar nas férias do meio do ano (porque, afinal de contas, o coração precisa ser feliz também), estudar mais e mais e mais. Não vou prometer para 2010 ir à academia ou iniciar o regime. Não faço promessas sem ter a intenção de cumpri-las. Minha promessa para 2010 é manter o sorriso nos lábios e o brilho no olhar mesmo em meio à toda adversidade prevista. Prometo continuar experimentando essa felicidade incrível que vivi em 2009 e cuidando para que ela aumente sempre! Prometo fazer o possível para contagiar aqueles a minha volta com a minha felicidade.
Aos meus amigos e leitores queridos, neste que pretendo que seja o último post do ano, desejo um ótimo finalzinho de 2009 e que 2010 seja ainda muito melhor!

Beijos!

sábado, 6 de junho de 2009

Uns poucos - mas sinceros - conselhos

Levante de bom humor! Bom humor é fundamental! Nada de acordar já reclamando da vida... Observe o sol que entra pela sua janela. Isso já é motivo suficiente para que você levante feliz!
Sente-se e tome seu café da manhã. É provável que o dia seja corrido, mas se dê o prazer de sentar-se à mesa e saborear o café quentinho, o pão saído do forno...
Sorria! Sorrir faz bem! Mas tem que ser um sorriso sincero e não um "sorriso amarelo". Sorria com os olhos! Os olhos transmitem a verdade que a boca, por vezes, esconde... Então, sorrir com os olhos é sorrir de verdade.
Mantenha o brilho no olhar... Lute por aquilo que acredita e descarte aquilo que já não serve mais. Renove o guarda-roupa, a sapateira e até a vida amorosa, se necessário. Nada pode ser mais importante do que preservar o brilho dos olhos!
Ligue para os amigos que estão longe... Ou mande um email... Diga que sente saudades! Isso é maravilhoso - para quem diz e para quem ouve! Ligue para os amigos de perto também... Saiam, bebam, dancem, curtam a vida!
Visite seus avós, se ainda os tiver. Ouça suas histórias! É imensamente prazeroso ouvir sobre as aventuras do avô ou as aflições da avó na época em que eles eram jovens.
Almoce ou jante com sua família! Reunir-se, dizer sobre como foi o dia, conversar sobre os sonhos e expectativas é importantíssimo!
Leia mais! Ler te transporta para outros lugares... outras cidades, estados, países, mundos! É viajar sem precisar sair do lugar! E não julgue o livro pela capa ou pelo tamanho... Se não o ler, não saberá os tesouros escondidos lá dentro.
Durma cedo se estiver cansado, mas que esse cedo seja tarde o suficiente para que tenha aproveitado o máximo do seu dia!
Corra! Sinta o vento bagunçar o cabelo! Pare! Sinta o sol esquentar sua pele! Sinta a chuva ensopar suas roupas! Sinta...
Viaje! Conheça outros lugares, outras culturas, outras pessoas!
Converse com quem sentar ao seu lado no ônibus, metrô, avião... Dê bom dia ao porteiro do seu prédio, ao vizinho, ao caixa do supermercado...
Coma o que tiver vontade, mas sem exageros.
Beije... abrace... ame... viva. Intensamente!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Fazer 26

Agora vinte e seis. Não mais vinte e cinco e nem ainda vinte e sete. Vinte e seis. E o que isso muda? Na prática, nada. Continuo cheia de acnes (que deveriam ter sido abandonadas na adolescência). Ao mesmo tempo, estou mais madura (mas isso não aconteceu de ontem para hoje).
Há quem diga que 26 está mais para 30 do que para 20. Pode ser (até acho que é mesmo), mas qual é o mal nisso? Não dizem que a vida começa aos 40? Falta muito ainda! Fazer um balanço dos meus 26 anos é impossível. Talvez eu pudesse eleger os últimos dez anos para comentar qualquer coisa... Ainda assim seria difícil. Eu deixaria escapar muita coisa. Então, não vou eleger um tempo certo. Elejo os momentos mais marcantes, os que fizeram de mim o que sou hoje - ou quase isso.
Nasci num 25 de março de 1983. Era uma sexta-feira. Nasci às 20:50. Não fui uma bebê planejada. Mas, nem por isso, menos querida.
O evento mais antigo de que tenho lembrança foi a chegada da minha prima mais nova, Cássia. Lembro-me perfeitamente de minha mãe querendo pegá-la no dia em que ela veio do hospital. Eu olhava para cima, cheia de curiosidade querendo ver a neném. Eu contava com 3 anos. Era o início de uma grande amizade.
Lembro-me também de assistir desenhos na cama dos meus pais com as minhas irmãs e de como eu chorei na primeira vez em que vi "Patinho Feio". Minha mãe, naquele dia, ficou bravíssima achando que minhas irmãs tivessem feito qualquer coisa para que eu chorasse. Mas me lembro bem que o motivo do choro era a rejeição que o Patinho sofria.
E as viagens com a família? Sempre adorei! Lembro da vez em que fomos ao Paraná visitar os parentes e aproveitamos para irmos às Cataratas do Iguaçú. Eu tinha 5 anos na época. Mas algumas coisas eu me lembro com perfeição. Como, por exemplo, destruir os barrancos de plantação de arroz do tio Armindo porque eu teimava em escorregar alí com minhas irmãs. Ou do patinho que tinha na casa de uma das tias (que por sinal também tinha um bar com um balcão repleto de doces!).
Lembro do lugar que eu me sentava à mesa e do qual precisei ser removida porque sempre prendia o dedo entre a cadeira e a parede. Ou de quando ia comer alguma coisa e enfiava o alimento e os dedos na boca, ignorava o alimento e mordia os dedos... hahaha. Sempre chorava muito. Na época eu não achava isso engraçado.
Lembro quando entrei na escola. Lembro de muitos dos meus amigos. Aliás, lembro nome e sobrenome. Acho que, na época, não tinha muita coisa para ocupar a cabeça, então eu devia ficar decorando os nomes... não sei... Só sei que sei nome e sobrenome de gente que não vejo à muito tempo, que não sei o que fazem da vida...
Escrevendo isso agora, lembrei do primeiro presente que ganhei de dia dos namorados... Eu tinha 8 anos. Ganhei do Eduardo que estudava comigo na segunda série, mas ele não era o meu namorado. Ele me deu um cisne e um sapatinho de gesso, além de uma cartinha. Tenho tudo guardado até hoje. Ele deixou o pacote de presente escondido embaixo do meu caderno. Foi uma surpresa que, mesmo eu fingindo o contrário, adorei!
Lembro-me das paixonites do início de adolescência. Fortes, catastróficas e tremendamente passageiras. Que bom! Do primeiro beijo, do namoro que começou quando eu tinha 13 anos e terminou seis meses depois de eu completar 25.
E, nisso, dei um grande pulo no meu relato... só para dizer que tudo o que aconteceu foi muito importante para fazer de mim o que sou hoje, mas que a grande mudança aconteceu depois disso tudo. Não vou reescrever tudo o que me fez repensar a vida porque tudo isso já está escrito neste blog (minha válvula de escape), que começou junto com todas as reviravoltas.
Penso que basta dizer que estou a cada dia mais feliz! Mais madura, mais mulher, mais decidida e menos chata - acreditem, é verdade!!! As pequenas coisas se tornaram, de fato, pequenas e eu não dou mais importância a elas. Ou, no máximo, dou a importância que elas merecem. O que mais importa para mim, hoje, é a presença dos meus amigos (que estão mais numerosos a cada dia que passa) e da minha família. Valorizo cada minuto com eles.
Acho que, as vezes, é necessário parar e fazer esse movimento retroativo: revirar o baú das lembranças e jogar fora aquilo que não serve mais para, aí sim, seguir em frente. Tenho feito isso ha alguns meses. E estou com muito espaço no meu baú para os novos acontecimentos. Quais serão eles? Não faço a menor idéia e nem quero descobrir. Gosto do que eu não sei.
Agora vinte e seis. Ainda bem!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

E o que é a vida senão um grande picadeiro?

Adoro espetáculo circense. De verdade! Mas, ultimamente, não tenho precisado ir ao circo para ver a apresentação dos palhaços. E, acrescento, a apresentação dos palhaços do circo é muito mais cômica!
Quero falar um pouco sobre homens palhaços. Adianto que não quero passar a imagem da mulher feminista que se vira sozinha e não precisa de homem para nada. Quer dizer, se essa é a imagem que passo, ela não é falsa. Sou, até certo ponto, feminista, sei me virar sozinha pra quase tudo e, definitivamente, não preciso de homem (o que não significa, de modo algum, que eu não queira companhia masculina - querer é uma coisa e precisar é outra beeem diferente!).
Como ia dizendo, estamos rodeadas por homens palhaços.
Outro dia conheci um. Aparentemente ele não fazia parte da trupe. Simpático, cavalheiro, esforçado... Quer dizer, nem tão esforçado. Deve ter faltado em, pelo menos, 50% das aulas de língua portuguesa... Cometia erros ortográficos imperdoáveis. E, pior de tudo: me mandava mensagens repletas desses erros! Não quero parecer preconceituosa (embora acredito estar sendo), mas penso que mereço muito mais que isso! Infelizmente eu o achava muito simpático e não queria, de forma alguma, deixá-lo triste. Como, então, dizer para que ele parasse? Optei por um e-mail que escrevi cuidadosamente (não com medo de "escorregar" no português, como ele corriqueiramente fazia, mas para não ser grosseira - coisa que acabo sendo com facilidade por sempre ir direto ao ponto...). Sabem o que o palhação teve a coragem de dizer (depois de muitas cantadas por msn, sms, e-mail, etc)? Algo do tipo "deixa, eu nem queria mesmo". Ah, faça-me o favor! Não, não... era eu quem queria... ã-hã!
E os palhaços que tentam dar o showzinho na rua mesmo? Determinadas coisas são ridículas de se ouvir quando já conhecemos a pessoa que diz... Quando não conhecemos, então, a coisa torna-se intolerável! Cantadas que ouvimos na rua... Ninguém merece! Ninguém mesmo! Mas, a pior cantada que levei na minha vida não foi de um palhaço... Foi de uma palhaça. Ouvi um "que delícia". Aff! Que nojo! Se ouvir isso de um homem já é nojento, imagina de uma mulher. Nada contra quem goste de mulheres... Mas não é meu caso! E, sobre o comentário, posso dizer que há quem goste desse tipo de elogio, mas eu prefiro ouvir outras coisas... De preferência que não estejam relacionadas ao meu corpo!
Ah, lembrei-me de uma cantada que ouvi de um palhaço há uns bons 8 anos (lembro-me porque era meu primeiro ano na faculdade... e, confesso, porque essa foi engraçada!). Enquanto eu passava ele soltou a pérola: "que narizinho lindo"! Tive de rir, porque existia alí uma dupla mentira: primeiro que meu nariz não é, nem de longe, bonito, quanto mais lindo; segundo porque estou longe de ter um "narizinho". kkkkkkkkkkk. Enfim, pelo menos ele foi criativo!
Muito embora encontremos palhaços e palhaças todos os dias, por onde quer que andemos, não há nada mais triste do que a gente se pegar fazendo o papel de palhaço. Quantas vezes, na minha vida, vesti minha mais colorida roupa, calcei meus melhores sapatos à la Bozo e coloquei meu narizinho vermelho? Na verdade, há sim algo mais triste que isso... É quando eu, conscientemente, fiz isso! E não foram poucas vezes. Já fiz isso em nome de "amizades" e de "amores". Tudo entre aspas, pois nada era real. Claro que tirei daí ótimas lições, e só por isso posso dizer que valeu a pena! Foi assim que soube que não vale a pena passar por cima do que se sente para ver o outro bem. Ninguém vale isso! Não vale a pena doar horas do seu dia por quem não merece mais do que poucos minutos (ou, as vezes, nem isso).
Cansada de tanta coisa, sabem o que fiz? Guardei minha fantasia num baú. Ela pode, literalmente, servir no carnaval... Ou, quando eu esquecer disso tudo, posso pegá-la para recordar e perceber que palhaço só tem graça mesmo no circo e que, definitivamente, eu não tenho talento pra isso!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

2008/2009

2008 está chegando ao fim... Não sou uma pessoa que fica olhando para trás, vivendo do passado, curtindo a nostalgia. Não mesmo! Longe disso! Mas, também, não posso ignorar que o que passou é responsável pelo que eu sou hoje. Então, o que eu posso dizer de 2008? Direi que foi um ano em que a vida tentou me passar inúmeras rasteiras, mas que não conseguiu me derrubar uma única vez. E isso serviu para que eu ficasse mais esperta. Assim, só posso dizer que foi um bom ano. Foi o ano em que eu cresci. Foi o ano em que eu fiz coisas inesperadas. Foi o ano das surpresas. E foi o ano em que descobri o poder que tem meu sorriso (2009 que me aguarde!)!
Foi também o ano em que eu me descobri. Quer dizer, mais ou menos... porque acredito que a gente nunca vai se descobrir totalmente! E isso não é nada ruim... Adoro ser um mistério para mim mesma - e para os outros também. Afinal, tudo o que é muito óbvio perde a graça rapidinho ;P
Se 2008 estivesse começando agora, acho que eu faria tudo praticamente igual. Praticamente... Algumas coisas eu adoraria ter feito diferente... Coisas que, mesmo que eu tente, estou certa que seria incapaz de mudar... Por exemplo, eu cobraria menos... menos de mim e, principalmente, menos dos outros. Sei que dei uma "relaxada" nesse nó, mas ainda há muito o que desapertar e acho que nunca conseguirei fazer isso por completo. Talvez isso seja bom, talvez não... E quem sabe essa resposta?
Já que não existe possibilidade de mudar o que já passou, posso tentar mudar o que está por vir. Primeiro de tudo, vou colocar meu coração de férias... Aliás, não só o coração... Vou colocar meus ouvidos de férias também. Quero silêncio. O único grito que eu quero escutar é o meu... o grito que eu aprisiono em mim, que eu não deixo escapar. Por falar nisso, quando meus ouvidos (orelhas, na verdade) voltarem de férias, acho que quero quebrar o silêncio desse meu grito. Mas isso ainda é só um plano... pode não acontecer.
Pretendo, também, ficar de bem com Deus... aindei meio tristinha com Ele. Por quê? Porque sou idiota, certamente... Sei que o que me acontece é de minha inteira responsabilidade. Mas, às vezes, é duro ter que carregar sozinha o peso das coisas.
Que mais? Bem, 2009 vai ser um ano atípico... Estou cheia de planos! Vou viajar, conhecer lugares diferentes, pessoas diferentes, falar uma outra língua (a língua do amor... ah, o amor!). Pretendo estudar mais, me dedicar mais à carreira que eu pretendo seguir, que é a acadêmica. Pretendo entrar na academia - agora falo da de ginástica - (que piada! Já tentei isso tantas vezes... e sempre desisto), emagrecer um pouquinho mais, colocar um pouco mais de tensão em certos músculos e tirar a tensão de tantos outros! Perder a barriga (que difícil!) e não encontrá-la nunca mais (hahaha, praticamente impossível!)!
Quero entender que não sou o centro do universo, como, muitas vezes, gostaria. E quero ser feliz apesar disso. Mais do que sou hoje! Quero ter mais tempo com meus amigos. Quero ter mais tempo com minha família. Quero descobrir as palavras certas para dizer-lhes o quão especial eles são para mim.
Mas são todas coisas que eu pretendo. Não são promessas. Porque se eu prometer, vou me sentir na obrigação de cumprir... E eu não quero mais nenhuma obrigação além de me fazer feliz! Então, acho que 2009 será o ano do improviso, das decisões de última hora... Ou não. E, definitivamente, isso não me incomoda. Gosto do que é incerto, muito embora, por vezes, afirmo o contrário. Tout parait inconnu et je suis heureuse ainsi!

domingo, 16 de novembro de 2008

Amor, Pathos e cisnes...

Como todos aqui sabem (se não forem todos, ao menos a grande maioria sabe) sou uma lingüista e, como tal, apaixonada pelas palavras. Gosto de saber a etimologia e significado das mais variadas palavras, mas, principalmente, daquelas que usamos no dia-a-dia, sem refletirmos sobre seu significado.
Hoje eu fiquei com vontade de estudar um pouquinho a palavra amor.

Amor é um substantivo masculino que vem do latim amor e, na nossa língua, pode ter inúmeros significados. O dicionário de língua portuguesa Aurélio nos oferece mais de 10 significados para amor. Dois deles me chamam a atenção e são, em certa medida, opostos. Um diz de um "sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa". O outro diz "paixão". O primeiro significado parece ser bem esclarecedor... E aí descubro que o que eu acho que é "gostar" é, na verdade, "amar". E penso, então, que amo um montão de gente!
Agora, em relação ao segundo significado, a "paixão", acabo ficando um pouco confusa. Amor não pode ser igual a paixão. Alguém aí já se perguntou o significado de paixão? Já foi ao dicionário etimológico para saber de onde vem essa palavra? Imagino que não... imagino que a única doida que faz isso por aqui sou eu. Então vamos lá: parece não haver um consenso sobre a origem da palavra paixão. Uns dizem que ela veio do latim passione. Outros, que veio do grego pathos. Qualquer que seja sua origem, fica claro que a paixão não é lá um sentimento muito nobre. Passione significa sofrimento. Pathos significa doença.
Amor = sofrimento??? Amor = doença??? Estranho pensar isso, não? Não quero dizer que quem ama, de verdade, não sofra. Sofre sim! Mas não acho que isso esteja relacionado ao amor. Nós podemos sofrer por não sermos correspondidos no amor. Mas penso que esse sofrimento está muito mais ligado ao nosso egocentrismo do que ao amor de fato.
Amor não traz sofrimento. O amor se apresenta como um doce habitante do coração, da alma. Se não é assim, o sentimento pode receber qualquer nome, menos amor!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Sobre a solidão

Eventualmente almoço em um restaurante de Perdizes, ao lado da PUC-SP. Na época da minha graduação, almoçava lá diariamente (não porque era um bom restaurante, mas porque era o que o meu dinheiro podia pagar... rsrs). E, desde aquela época, encontro por lá um casal de idosos. Ou seja, há, no mínimo, sete anos eles almoçam ali diariamente (ou quase diariamente).
É um casal muito peculiar. Ele, de cabelos brancos, sobrancelhas escuras, cara de poucos amigos. Veste camisa xadrez, calça jeans e tênis. Ela, também de cabelos brancos, usa um corte ao estilo Chanel, colar de pérolas, vestido florido e muita maquiagem. Eles sempre estão lá, comendo, quando eu chego e continuam lá, ainda comendo, quando eu vou embora (sim, eles comem bastante e, sim, eu como rápido demais! rsrs). Poderiam passar despercebidos, afinal de contas muitos idosos moram em Perdizes... Não é incomum vê-los por ali. Mas este casal chama atenção. Durante o tempo em que eu permaneço ali, não os vejo trocar uma única palavra. Nadinha. Ele olha insistentemente para as jovens que passam. Ela olha insistentemente para o prato de comida. E assim segue o almoço. Um indiferente ao outro. Há sete anos.
Penso que não existe pior solidão que essa: a solidão em que não se está só - a solidão a dois.
Será que, algum dia, esse casal já utilizou o horário em que se sentam à mesa para dividir os problemas e compartilhar as soluções? Será que eles já foram felizes? Será que eles se amaram de verdade? Quando será que foi a última vez em que eles fizeram amor? Que mais será que eles têm em comum além do horário de almoço?
Eu não quero envelhecer como eles. Quero encontrar alguém que me ame de verdade, que consiga olhar pra mesma direção que eu, que faça dos "meus sonhos" os "nossos sonhos" (e que o inverso seja verdadeiro). Alguém que saiba me tocar com ternura e que, ao sentar comigo à mesa me conte como foi o seu dia, me diga dos seus problemas e espera, sinceramente, que eu tenha palavras de conforto quando as notícias não forem boas, ou palavras de encorajamento quando o que disser vier com entusiasmo! Alguém que também queira, verdadeiramente, saber do meu dia! Ou, ainda, alguém que nem sempre necessite das palavras... Alguém que vai me dizer o que está acontecendo só com o olhar... Alguém que vai se sentir querido com o olhar que eu lhe dirigir. Alguém que queira envelhecer ao meu lado, compartilhando as conquistas e também as muitas "passadas de pernas" que a vida dá. Alguém que não seja perfeito, mas que o seja para mim. Quero encontrar alguém com quem eu tenha muito mais em comum do que uma simples relação amorosa.
Não que uma "simples relação amorosa" (se é que alguma relação - amorosa ou não - possa ser simples) seja ruim. Mas não é o suficiente. E digo isso de forma bastante tranquila, porque já vivi um relacionamento assim.
Quero alguém que, mesmo quando estivermos com nossos cabelos brancos, me convide pra ir ao cinema, pra ir tomar um sorvete ou andar de mãos dadas no shopping. Ou tudo isso junto. Mas, se isso não for possível, eu prefiro ficar sozinha. Porque a solidão é muito mais fácil de ser suportada quando se está só!