Adoro espetáculo circense. De verdade! Mas, ultimamente, não tenho precisado ir ao circo para ver a apresentação dos palhaços. E, acrescento, a apresentação dos palhaços do circo é muito mais cômica!
Quero falar um pouco sobre homens palhaços. Adianto que não quero passar a imagem da mulher feminista que se vira sozinha e não precisa de homem para nada. Quer dizer, se essa é a imagem que passo, ela não é falsa. Sou, até certo ponto, feminista, sei me virar sozinha pra quase tudo e, definitivamente, não preciso de homem (o que não significa, de modo algum, que eu não queira companhia masculina - querer é uma coisa e precisar é outra beeem diferente!).
Como ia dizendo, estamos rodeadas por homens palhaços.
Outro dia conheci um. Aparentemente ele não fazia parte da trupe. Simpático, cavalheiro, esforçado... Quer dizer, nem tão esforçado. Deve ter faltado em, pelo menos, 50% das aulas de língua portuguesa... Cometia erros ortográficos imperdoáveis. E, pior de tudo: me mandava mensagens repletas desses erros! Não quero parecer preconceituosa (embora acredito estar sendo), mas penso que mereço muito mais que isso! Infelizmente eu o achava muito simpático e não queria, de forma alguma, deixá-lo triste. Como, então, dizer para que ele parasse? Optei por um e-mail que escrevi cuidadosamente (não com medo de "escorregar" no português, como ele corriqueiramente fazia, mas para não ser grosseira - coisa que acabo sendo com facilidade por sempre ir direto ao ponto...). Sabem o que o palhação teve a coragem de dizer (depois de muitas cantadas por msn, sms, e-mail, etc)? Algo do tipo "deixa, eu nem queria mesmo". Ah, faça-me o favor! Não, não... era eu quem queria... ã-hã!
E os palhaços que tentam dar o showzinho na rua mesmo? Determinadas coisas são ridículas de se ouvir quando já conhecemos a pessoa que diz... Quando não conhecemos, então, a coisa torna-se intolerável! Cantadas que ouvimos na rua... Ninguém merece! Ninguém mesmo! Mas, a pior cantada que levei na minha vida não foi de um palhaço... Foi de uma palhaça. Ouvi um "que delícia". Aff! Que nojo! Se ouvir isso de um homem já é nojento, imagina de uma mulher. Nada contra quem goste de mulheres... Mas não é meu caso! E, sobre o comentário, posso dizer que há quem goste desse tipo de elogio, mas eu prefiro ouvir outras coisas... De preferência que não estejam relacionadas ao meu corpo!
Ah, lembrei-me de uma cantada que ouvi de um palhaço há uns bons 8 anos (lembro-me porque era meu primeiro ano na faculdade... e, confesso, porque essa foi engraçada!). Enquanto eu passava ele soltou a pérola: "que narizinho lindo"! Tive de rir, porque existia alí uma dupla mentira: primeiro que meu nariz não é, nem de longe, bonito, quanto mais lindo; segundo porque estou longe de ter um "narizinho". kkkkkkkkkkk. Enfim, pelo menos ele foi criativo!
Muito embora encontremos palhaços e palhaças todos os dias, por onde quer que andemos, não há nada mais triste do que a gente se pegar fazendo o papel de palhaço. Quantas vezes, na minha vida, vesti minha mais colorida roupa, calcei meus melhores sapatos à la Bozo e coloquei meu narizinho vermelho? Na verdade, há sim algo mais triste que isso... É quando eu, conscientemente, fiz isso! E não foram poucas vezes. Já fiz isso em nome de "amizades" e de "amores". Tudo entre aspas, pois nada era real. Claro que tirei daí ótimas lições, e só por isso posso dizer que valeu a pena! Foi assim que soube que não vale a pena passar por cima do que se sente para ver o outro bem. Ninguém vale isso! Não vale a pena doar horas do seu dia por quem não merece mais do que poucos minutos (ou, as vezes, nem isso).
Cansada de tanta coisa, sabem o que fiz? Guardei minha fantasia num baú. Ela pode, literalmente, servir no carnaval... Ou, quando eu esquecer disso tudo, posso pegá-la para recordar e perceber que palhaço só tem graça mesmo no circo e que, definitivamente, eu não tenho talento pra isso!